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Novo comando. Marcelo Urtado assume a presidência do Consórcio Cerrado das Águas

NOVO COMANDO. MARCELO URTADO ASSUME A PRESIDÊNCIA DO CONSÓRCIO CERRADO DAS ÁGUAS.

Em momento de expansão, o cafeicultor e engenheiro agrônomo contribuirá com sua experiência para alcance dos objetivos da plataforma colaborativa.

O Consórcio Cerrado das Águas, plataforma colaborativa que reúne iniciativa pública, sociedade e empresas da cadeia do café, elegeu, no dia 29 de março, sua nova diretoria para o triênio 2022/2025. Assume, como novo presidente da plataforma, o cafeicultor, engenheiro agrônomo e especialista em agroecologia, Marcelo Urtado. Proprietário da Fazenda Três Meninas, ele tem se destacado pela aplicação de técnicas de agricultura climaticamente inteligente e resiliente, sobretudo aos efeitos climáticos.

Eleito pelos membros associados do Consórcio, Urtado tem boas expectativas para a gestão que acaba de assumir. “Minhas expectativas são as melhores possíveis. O CCA vem ganhando corpo, apresentando resultados consistentes e já começa a mudar a paisagem. A expectativa é ver o CCA impactando positivamente cada vez mais a paisagem e a vida das pessoas”, afirma o novo presidente. Para ele, as mudanças climáticas sinalizam a importância e relevância do Consórcio e destaca que “a ciência e a pesquisa devem ser a base do direcionamento das ações da plataforma colaborativa”.

Para Urtado, o CCA “é um exemplo de modernidade em todos os sentidos: trabalha de forma integrada, conseguindo unir todos os elos de uma cadeia num objetivo comum. Os resultados do trabalho do CCA impactam, diretamente, a agricultura apenas como um pequeno e importante exemplo: sem água fica difícil produzir alimentos”, destaca.

O vice-presidente, Guilherme Amado, líder em sustentabilidade e fornecimento da cadeia do café Nespresso, segue para o seu segundo mandato. Ele, que fez parte da gestão anterior, avalia os principais desafios desta nova gestão. “A grande expectativa é como expandir sem perder a qualidade dos serviços prestados para escalar os impactos positivos em outras bacias hidrográficas. Os principais desafios são como estruturar os modelos de governança com o engajamento dos atores locais principais em cada região, como captar recursos de forma eficiente para implementação das ações em campo e como trazer mais membros para o CCA e como aumentar a escala e responsabilidades do time de execução do Consórcio”, sinaliza o vice-presidente.

Dentre os desafios, o de ingressar mais membros na plataforma colaborativa é algo que conta com novidade. Na mesma reunião de eleição da diretoria, a Daterra fez seu ingresso como membro associado. A empresa referência na produção de cafés é uma parceira do CCA no plantio de mudas nativas. Somente em 2021, por meio do projeto Tree-Llion, foram plantadas de forma conjunta, 48 mil mudas de espécies nativas e frutíferas.

Gestão finalizada e produtiva

O presidente antecessor, o cafeicultor Gláucio de Castro, avalia a última gestão do CCA como decisiva e muito produtiva, uma vez que muitos objetivos foram alcançados, sobretudo no projeto-piloto na bacia do Córrego Feio, em Patrocínio-MG, com a restauração de 97 hectares de área de vegetação nativa restaurada com 20 mil mudas nativas. Outro ponto de destaque é a expansão da metodologia do CCA para municípios vizinhos a Patrocínio, como Serra do Salitre, cujo PIPC já foi implementado e a expansão para Coromandel e Rio do Paranaíba, municípios que já selaram parceria para aplicação da metodologia, já caminha para a execução.

“Minha avaliação é muito positiva devido aos grandes números conquistados, ainda mais considerando os últimos dois anos de pandemia e os desafios de engajamento das fazendas participantes. Até o momento 477 hectares tiveram ações de Agricultura Climaticamente Inteligente implementadas. Mesmo neste contexto, avanços foram feitos para expandir o CCA para outras bacias, ações de comunicação gerais que deram grande visibilidade, além da entrada de novos associados, consolidando a sustentabilidade econômica”, considera Amado.

Futuro do CCA

Para o novo presidente, o futuro do CCA é promissor, devido à clareza de seus objetivos e à urgência de ações para resiliência climática, sendo isso uma própria demanda do mercado.

“Eu vejo o futuro do CCA como uma plataforma consolidada de iniciativas em nível de paisagem que traz a resposta para desafios da atualidade de forma dinâmica e participativa. É um modelo que pode ser replicado em outras regiões, nisso eu vejo a nossa liderança e o papel de chamar outros setores para o mesmo processo”, avalia Urtado.

A plataforma que abriga empresas do mesmo segmento na cadeia do café como Nespresso, Nescafé, Cooxupé, Expocaccer, Volcafé, Cofco e Stockler, considera a atuação conjunta, uma ação para o bem coletivo e não um fator competitivo para aquelas que lidam com os mesmos produtos, públicos e serviços. “O ambiente pré-competitivo é saudável para estimular que as práticas sejam adotadas em escala, favorecendo a divisão de investimentos de um lado, mas também potencializando a união de talentos para criar soluções sustentáveis que garantam o futuro da cafeicultura e de outras atividades na Região do Cerrado Mineiro. Quando os benefícios são colhidos por todos, faz sentido o engajamento em plataformas abertas como o CCA”, explica Guilherme Amado. Visão, esta, que o novo presidente compartilha. “Entendemos que o desafio não se sobrepõe aos benefícios. “A união de todos os envolvidos, inclusive empresas ‘concorrentes’ é exatamente como os elos de uma corrente, juntos são maiores que os desafios, ou seja, vejo que juntos somos maiores”, conclui Marcelo Urtado.

Sobre o Consórcio Cerrado das Águas

Criado em 2015, em Patrocínio – MG, o Consórcio Cerrado das Águas tem como objetivo conscientizar produtores da região sobre a importância de seus ativos ambientais por meio do diagnóstico e investimento nos mesmos, garantindo sua preservação a longo prazo.

A iniciativa possui como membros associados as seguintes empresas: Nescafé, Expocaccer, Nespresso, Lavazza, Cooxupé, CofCo, Volcafé, Stockler, além das instituições apoiadoras como Federação dos Cafeicultores do Cerrado, CerVivo, Daterra, Imaflora e IEB – Instituto Internacional de Educação do Brasil.

Em 2019, o projeto piloto recebeu do Fundo de Parcerias para Ecossistemas Críticos (CEPF) o valor de US$400 mil para implementar o programa que irá promover, inicialmente, o investimento e a proteção dos ecossistemas naturais encontrados em mais de 100 propriedades ao longo da bacia do Córrego Feio. A quantia é o maior subsídio já concedido pelo CEPF, que conta com exigentes doadores como a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), União Europeia, Fundo Mundial para o Ambiente (GEF), Governo do Japão e Banco Mundial.

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Créditos imagem: Arquivo CCA




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